Gigantes do Mercado: Stablecoins já representam cerca de 80% do volume declarado de Criptoativos no Brasil
- cinecryptorural
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Por Redação Blog de Notícias Data de publicação: 2 de julho de 2026

O ecossistema de ativos digitais no Brasil passou por uma transformação estrutural profunda nos últimos anos, deixando para trás os dias em que o Bitcoin e as moedas altamente voláteis ditavam isoladamente o ritmo das negociações. Segundo dados históricos consolidados e divulgados pela Receita Federal, as stablecoins — criptomoedas desenvolvidas para emparelhar seu valor ao de moedas fiduciárias como o dólar e o real — deixaram de ser coadjuvantes para assumir a liderança absoluta, respondendo atualmente por cerca de 80% do volume mensal declarado de criptoativos no país.
Os números oficiais revelam uma trajetória de crescimento exponencial. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, os contribuintes brasileiros declararam aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de ativos digitais. Desse montante impressionante, as stablecoins abocanharam a fatia majoritária de R$ 1,13 trilhão, o equivalente a 71,7% do total acumulado no período.
De 3,5% ao Topo do Mercado
O avanço rápido dessas moedas estáveis redesenhou o mapa financeiro cripto no Brasil:
O Início (2019): No começo da série histórica, as stablecoins representavam uma parcela tímida de apenas 3,5% do volume mensal declarado.
A Explosão (2022–2023): Em 2022, a participação saltou para 79,7%, atingindo uma média de 91,5% em 2023 e registrando um pico histórico incrível de 94,3% em julho de 2023.
A Consolidação (2024–2025): Nos anos mais recentes, mesmo diante dos ciclos de forte valorização e alta de moedas flutuantes como o Bitcoin e o Ethereum, o domínio das moedas pareadas estabilizou-se de forma resiliente em uma faixa sólida entre 76% e 80%.
Em termos financeiros absolutos, o maior teto mensal já registrado na história do país ocorreu em novembro de 2025, movimentando R$ 39,7 bilhões apenas em stablecoins.
USDT da Tether comanda o Mercado com Punho de Ferro

Ao analisar a preferência dos investidores locais, a soberania de uma única moeda chama a atenção. A USDT (Tether), indexada ao dólar americano, concentra quase 9 em cada 10 reais transacionados dentro do segmento de moedas estáveis. Ela responde sozinha por 88,7% de todo o volume declarado de stablecoins entre 2019 e 2025, somando cerca de R$ 1 trilhão.
Bem atrás na disputa, mas ainda relevantes, aparecem a USDC (também atrelada ao dólar) com 7,1% de participação e a BRZ (principal representante pareada ao Real brasileiro), que responde por 3,4% das movimentações analisadas.
Explosão no Volume de Operações e Novas Regras Tributárias
O fenômeno não é medido apenas pelo dinheiro movimentado, mas também pelo hábito do investidor. No período estudado, foram computadas mais de 185,7 milhões de transações de compra e venda de stablecoins. A título de exemplo do dinamismo atual, em novembro de 2024, do total de 31,9 milhões de transações declaradas no mercado cripto brasileiro, as stablecoins foram responsáveis por 18,2 milhões dessas operações.
Essa massificação do uso de ativos dolarizados para transferências, remessas e proteção patrimonial coincide com um momento crítico de fiscalização. A divulgação dos dados ocorre de forma estratégica pela Receita Federal simultaneamente à implementação da DeCripto (Declaração de Criptoativos).
Amparada pela Lei nº 14.754/2023, a nova regra estipula que exchanges e prestadoras de serviços de criptoativos localizadas no exterior também passem a cumprir a obrigatoriedade de relatar mensalmente as movimentações de clientes brasileiros.
Segundo o órgão fiscalizador, essa exigência é de natureza autônoma e independe de haver tributos imediatos a pagar, funcionando como um mecanismo essencial para garantir a transparência de um mercado que movimentou trilhões e hoje lidera a preferência da economia digital no Brasil.
Fonte Oficial dos Dados: Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil / Ministério da Fazenda.
Para entender melhor o papel dessas moedas estáveis como infraestrutura financeira moderna no país, assista à discussão sobre a Regulação de Stablecoins no Brasil, que aborda o impacto dessas moedas e o esforço de órgãos governamentais para acompanhar a evolução desse mercado.




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