Coinbase amplia fronteiras: compra The Clearing Company e aposta em mercados de previsão
- cinecryptorural
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Na última semana, enquanto muitos ainda digeriam as movimentações tradicionais de fim de ano no universo cripto, fui surpreendido por uma notícia que, pessoalmente, considero um dos movimentos mais estratégicos da Coinbase em 2025: a compra da startup de mercados de previsão The Clearing Company.
Logo de cara, o que mais me chamou atenção foi o timing. A Coinbase anunciou essa aquisição poucos dias depois de ter lançado sua própria oferta de prediction markets dentro da plataforma — um tipo de mercado onde você negocia contratos que refletem a probabilidade de acontecimentos reais, como eleições, decisões de política econômica ou até resultados esportivos.
O que a Coinbase está tentando construir não é apenas mais um produto: é uma visão ampliada do que um exchange pode ser. A empresa fala abertamente em se tornar uma espécie de “Everything Exchange” — um ambiente onde você não só negocia criptomoedas, mas também ações, derivativos e, agora, contratos de previsão de eventos.
E isso me leva ao cerne da aquisição: The Clearing Company, embora seja uma startup pequena, vem com um time altamente especializado em mercados de previsão e blockchain. Fundada e liderada por executivos com vasta experiência em plataformas como Polymarket e Kalshi (algumas das que mais movimentaram volumes nesse nicho este ano), a companhia ganhou notoriedade justamente por criar infraestrutura que combina liquidez, tecnologia on-chain e conformidade regulatória — um conjunto de capacidades que a Coinbase claramente quer incorporar rapidamente.
Outro ponto que observo com interesse é que os detalhes financeiros do negócio não foram divulgados — a própria Coinbase chamou o valor de “irrelevante” apontando ainda que a equipe da The Clearing Company irá integrar seu quadro. Isso sugere que mais do que uma aquisição, estamos vendo um movimento estratégico de talento e know-how para acelerar o desenvolvimento de produtos em um mercado emergente.

Agora, algo que não posso deixar de destacar: os mercados de previsão ainda enfrentam desafios regulatórios significativos, especialmente nos Estados Unidos, onde a linha entre “mercado financeiro” e “jogo de apostas” é objeto de disputa.
Integrar essa camada de produtos dentro de uma plataforma regulamentada como a Coinbase implica riscos legais e exigirá bastante coordenação com instituições como a CFTC - Commodity Futures Trading Commission, que é uma agência independente do governo dos Estados Unidos responsável pela regulação de mercados de derivados, ou seja, mercados de contratos como futuros, opções e swaps.
Mas, olhando de forma geral, essa aquisição sinaliza duas tendências que venho acompanhando:
Expansão de exchanges cripto para universos além de criptomoedas, integrando serviços financeiros tradicionais e inovadores em um único lugar.
A corrida pelos mercados de previsão como uma nova fronteira para engajamento de usuários, dados de mercado e — potencialmente — receita sustentável e diversificada.
Essa é, para mim, uma das principais notícias do ano no setor — não apenas por ser uma aquisição, mas pelo que ela representa: a cripto economia madura começando a fundir as fronteiras entre tecnologia, especulação inteligente e infraestrutura financeira global.
Paulinho Sacramento
Comunicador (ABI - Associação Brasileira de Imprensa), Artista Digital, Analista gráfico, Cripto Trader, entusiasta de fintechs e automação inteligente, AI, criptoativos, tecnologia blockchain e CEO do Cine Crypto.
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